Eu não sei se eu tenho uma audição das melhores, sabe? Mas com certeza não sei articular bem as palavras. Não tenho língua presa nem nada, só que eu me enrolo ao falar, falo rápido e baixo, e depois que eu pus aparelho ortodôntico, vixi, a dicção foi pro saco.
Mas essa informação pessoal foi só pra introduzir o assunto. O que tenho a comunicar-lhes é uma teoria que cada família em suas casas e em seu dia-a-dia têm um dialeto apenas entendível entre eles mesmos: não pode ser ensinado em cursos de línguas, muito menos no Instituto Universal Brasileiro (quem quer consegue, eu tamé!).
Este fato é perfeitamente observável quando se está na casa de um amigo (ou amiga, igualdade dos sexos, saca?) e os pais, irmãos ou o parente que seja está por lá também (fazendo o quê, eu não sei, mas não interessa no momento). Está com o anfitrião (ou anfitriã) na sala assistindo a Dança dos famosos, até que ele (ou ela, já deu, é a última vez que eu especifico, usarei apenas a flexão masculina, mas levem em cosideração um indivíduo sem sexo definido, ok?) vira-se e do nada ("sem sexo definido" é ótimo, haha) diz bem alto "Tá bom!" e sai. Você, logicamente, com seus botões, pergunta-se "’Tá bom!’ o quê?". Mas fica na sua, pois ele está na cada dele e pode bancar o louco quando bem entender, né verdade? Logo ele volta dizendo:
- Fui só lá ajudar minha tia Maricota. Ela me chamou na cozinha.
- Que hora ela te chamou?!?! - você responde surpreso
- Agora, véi.
- Que hora?!?! - mesma surpresa
- Agora, antes do Faustão sortear esse último computador pronto pra Internet na Seleção do Faustão!
- Carái, achei que tivesse sido um grunhido do seu gato.
- Hahaha, não. Precisa lavar os ouvidos, hein, campeão!
"’Lavar os ouvidos’, oras!! Tomei banho no meio da semana, tsc, babaca!". E você começa a perceber que não ouve nada na casa dos outros. E que na sua casa, os outros provavelmente também, mas pela cara de "Pô, zoei o cara pra lavar os ouvidos e justo na casa dele eu não ouço nada. Vou ficar na minha com essa cara de bunda" você logo percebe o alcance desta inútil teoria.
E essa é uma verdade universal, podem fazer a prova. Não vale apenas caso os jovens leitores labiais do Fantástico estejam envolvidos por motivos óbvios, afinal, leitura labial é uma prática condenável em diversos países do globo.